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Eleição na Argentina: Veja o que é verdadeiro e falso no debate entre Massa e Milei

Faltando uma semana para o 2º turno das eleições presidenciais, os candidatos do Unión por la Patria e da La Libertad Avanza debateram no domingo (12)

Publicada em 13/11/23 às 09:17h - 51 visualizações

por TVSUL


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 (Foto: Luis Robayo Pool Getty Images)

Faltando uma semana para o segundo turno das eleições presidenciais na Argentina, os candidatos Sergio Massa, pelo governista Unión por la Patria, e Javier Milei, por La Libertad Avanza, se enfrentaram no domingo (11) em último debate antes do segundo turno de 19 de novembro.

Durante o encontro, em que os candidatos alternaram propostas e ataques em relação às questões da economia, das relações da Argentina com o mundo, da saúde e da educação, da segurança e dos direitos humanos e da convivência democrática, nem tudo o que foi dito era verdade.

Veja a análise:

Javier Milei e suas declarações sobre economia

  • Déficit fiscal

O candidato do La Libertad Avanza, Javier Milei, afirmou durante o primeiro bloco econômico que “a Argentina, nos últimos 123 anos, teve um déficit fiscal em 113”.

Verificação: VERDADEIRO

Segundo série histórica do Ministério da Economia argentino, esta afirmação é verdadeira se incluirmos o ano corrente.

  • Desvalorização do peso argentino

No eixo temático sobre economia, o candidato à Libertad Avanza também fez referência à desvalorização do peso argentino: “Uma alternativa que os políticos costumam usar é o uso da máquina para imprimir notas. Isso gera inflação. Retiramos 13 zeros da moeda, tivemos duas hiperinflações sem guerra e estamos a caminho de outra”, afirmou.

Verificação: VERDADEIRO

Em relação à informação de quantos zeros o peso argentino perdeu, este postulado é verdadeiro. Segundo relatório da Universidade Torcuato Di Tella, de 1969 a 1992 a moeda perdeu 13 zeros.

  • Câmbio

Ainda durante o bloco econômico, Milei fez declarações sobre o câmbio: “Hoje, pelo câmbio paralelo, estamos na 130ª posição [no mundo]”, afirmou.

Segundo a taxa de câmbio oficial medida pelo Banco Mundial, atualizada até 2022, a Argentina ficou na 153ª colocação.

Verificação: IMPRECISO

  • Pobreza

Milei mirou Massa, apontando os dados de pobreza deixados pelo Governo de Alberto Fernández. Nesse sentido, acusou: “Seu governo deixou dois terços das crianças na pobreza”.

Verificação: IMPRECISO

Esta informação é imprecisa. Segundo o último relatório do Instituto de Estatística e Censos (Indec), da Argentina, 56,2% das crianças de 0 a 14 anos são pobres. Se tivermos em conta os jovens entre os 15 e os 29 anos, a porcentagem de pobreza neste grupo é de 46,8%.

  • PIB

“Quando você olha o PIB per capita da Argentina, ele está 15% abaixo do registrado em 2011”, disse Milei também sobre a economia do país.

Verificação: FALSO

Na Argentina, o PIB per capita em dólares correntes cresceu 6,8% entre 2011 e 2022, embora a sua evolução inclua flutuações descendentes em cinco desses 11 anos. Em 2011, seu valor era de US$ 12.788,02, enquanto em 2022 subiu para US$ 13.659,39.

Sergio Massa sobre as relações da Argentina com o mundo

Javier Milei e Sergio Massa fazem o último debate presidencial na Argentina / Reprodução/YouTube/CámaraNacionalElectoral
  • Comércio exterior

Falando sobre comércio exterior, Massa, candidato pela Unión por la Patria, afirmou: “Quem são os principais parceiros comerciais da Argentina? O Brasil é um e a China é outro”.

Verificação: VERDADEIRO

Segundo dados de comércio exterior do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), Brasil e China são dois dos três principais parceiros da Argentina.

Até setembro deste ano, o comércio com o Brasil, somando exportações e importações, totalizou US$ 8,9 bilhões. Em segundo lugar ficaram os Estados Unidos, com US$ 4,037 bilhões. E em terceiro lugar está a China, com US$ 4,036 bilhões.

O candidato presidencial de La Libertad Avanza, Javier Milei, havia mencionado em entrevista que “Putin não entra aí, Lula não entra aí”.

  • População das Malvinas

Massa também acusou Milei de defender a autodeterminação dos Kelpers, habitantes das Ilhas Malvinas.

Verificação: ENGANOSO

A candidata Milei e Diana Mondino, que anunciou que seria a sua futura chanceler, afirmaram que “devemos respeitar o que pensam aqueles que vivem nas Ilhas Malvinas”, mas em nenhum momento se falou em “autodeterminação”.

O direito à autodeterminação nasce de um conceito da ONU. Mondino afirmou que “os direitos dos ilhéus serão respeitados”.

Sergio Massa sobre a economia

  • Sistema previdenciário

No eixo temático economia, o candidato da Unión por la Patria, Sergio Massa, destacou Javier Milei e o acusou de querer a volta da privatização do sistema previdenciário: “Infelizmente, Milei propõe a volta da AFJP”.

Verificação: VERDADEIRO

Esta afirmação é verdadeira. Na plataforma eleitoral de La Libertad Avanza, esta reforma aparece como uma medida de segunda geração.

Atualmente, na Argentina as pensões de reforma dependem inteiramente da administração estatal.

Em 1989, durante o governo de Carlos Menem, foi realizada uma reforma que incorporou a possibilidade de optar por administrações privadas, denominada Administradora de Fundos de Aposentadorias e Pensões (AFJP).

Estas administrações investiram os seus fundos no sistema financeiro e, anos depois, o Estado teve que resgatar as pensões porque as empresas privadas não conseguiam pagar a reforma mínima.

Javier Milei sobre educação

  • Números da educação

O candidato presidencial do Libertad Avanza, Javier Milei, fez referência aos números da educação e garantiu: “Apenas 16% das crianças terminam o ensino secundário [modalidade argentina de ensino] a tempo e em tempo útil. 30% não terminam nada.”

Verificação: IMPRECISO

Segundo o Observatório dos Argentinos pela Educação, em seu relatório “Índice de Resultados Escolares: Quantos alunos chegam ao final do ensino médio em tempo hábil?”, apenas 13 em cada 100 alunos que iniciaram a primeira série em 2011 concluíram o ensino médio no tempo esperado em 2022.

Da mesma forma, este relatório dá seguimento ao Índice de Resultados Escolares, que mostrou que apenas 16 em cada 100 alunos concluíram o ensino secundário em tempo útil entre 2009 e 2020.

Além disso, o candidato garantiu que “50% das crianças não entendem o que leem e 70% não conseguem resolver um problema básico de matemática”. Esta afirmação também é imprecisa.

Segundo dados provenientes do relatório “Leitura e desigualdade. Comparações entre Argentina e América Latina”, do Observatório de Argentinos pela Educação, 46% dos alunos do terceiro ano do ensino fundamental estão no nível de leitura mais baixo de acordo com a prova regional Estudo Regional Comparativo e Explicativo (Erce).

Este número sobe para 61,5% entre os alunos de nível socioeconómico mais baixo, enquanto é de 26,3% entre os alunos de nível socioeconômico mais elevado.

Por seu lado, os resultados da prova “Aprender 2022”, que avalia o nível de aprendizagem dos jovens do ensino secundário, mostram que 71,4% dos alunos estavam no grupo com menor desempenho em matemática em 2019, enquanto o número subiu para 82,4% em 2022.

(Apurações por Manuela Castro, Betiana Fernández Martino, Ignacio Grimaldi e Emiliano Giménez, da CNN en Español)

Da CNN





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